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A
Venezuela que eu vi
Amigos,
companheiros e camaradas: Pensem
em chegar num país estranho, com todos os conceitos que nos gravam
mente a dentro por anos e anos. Então chegamos num aeroporto
onde as escadas rolantes só funcionam para subir. E, ao perguntar
para um funcionário o por que disto, ouvimos que "La pátria
tiene qui popar la energia". Imaginem
uma cidade cercada de favelas, morros com muitas favelas, com aquelas
construções parecidas com nossas casas populares, na quase
totalidade de tijolos e lages. Detalhe: construções novas.Muitas
delas, pintadas de vermelho, rosa, azul, verde. Antes, segundo todos
os caraquenhos com quem conversei, eram de barro, madeira ou latas. A Caracas mais "fina" fica no vale. Estamos hospedados no hotel Alba, um ex-Hilton Hotel que tinha muitas dívidas.Fora construído pelo governo venezuelano, com todos os luxos que um cinco estrelas precisa, e "concedido" para a rede Hilton. Passou
o tempo, o pai de Paris Hilton luicrou bastante, e venceu a concessão.
O que fez Chàvez? Estatizou o hotel, que hoje è local
de seminários, congressos, encontros e conferências. Todos
os eventos que terão ação contra o neoliberalismo
acontecem aqui. Tivemos
a manhã livre hoje e fomos ao centro conhecer um pouco desta
realidade. Obras em todos os cantos, Caracas è um grande e barulhento
canteiro de obras. Perguntei a um vendedor de "jugos" o motivo
de tantas obras, e obtive a resposta:" Los dominantes de Venezuela
no se habian com la ciudad". Levaram cinqüenta anos expoliando,
depredando, porque não gostavam da Venezuela nem do povo.Faziam
dinheiro aqui e iam gastar em Los Angeles. Hugo está fazendo
o que eles não fizeram. Gostas
de Hugo? perguntei. Ele respondeu: Eu e todos os pobres do país.
Ele nos trouxe a pátria Venezuela de volta. Hoje temos pátria,
somos gente. Antes, não. Amamos Chávez. É
imenso e inimaginavel o sentimento da população com Chàvez.
Beira a idolatria. Como em "La esquina caliente". Uma barraca
montada, cadeiras de plástico, e sempre alguém da população
falando da revolução. Conhecemos uma destas oradoras das
esquinas calientes. Chama-se Mirian, e fala com desenvoltura. Denuncia
a mídia, amaldiçoa "El diablo", elogia Chàvez
e Bolívar. Depois de ouvi-la conversamos. Perguntei sua profissão:
Cozinheira. Ganha algo para fazer isto? "Si! defendo mi pátria".
Em
Caracas não existem camelôs. Por que? "porque temos
que pagar impostos e sustentar as mudanças," me diz o atendente
de uma lancheria. E vocês acham o que disto, pergunto. Ele me
responde: Necessário, jà que nosotros quieremos avançar
o socialismo. Gente,
imaginem o balconista da farmácia, o porteiro do hotel, o motorista,
TODOS falando bem de Chaves, de seu governo, do que ele está
fazendo. Claro, não estamos em Hatillo (depois conto o motivo). Em
uma das ruas periféricas, perto de La Plaza Bolivariana (tudo
aqui tem Bolívar ou e bolivariano) vi uma das muitas escolas
pùblicas de Caracas. Alunos com uniformes, escola simples mas
organizada. E um imenso painel feito por alunos, agradecendo a Chaves
pelo ensino. Aliàs, Caracas è um imenso grafite, em todos
os lados se vê pinturas nos muros, nas pontes, nas casas. Existem
até pichações com spray, rabiscadas, dizendo "
Estamos con usted, Chàvez. Outra
informação que a mídia golpista não nos
á é sobre o nível de desemprego. Baixíssimo.
Em lojas, lancherias, lanhouses, vários anúncios. E agora,
me diz um jovem da União da Juventude Venezuelana Socialista,
" com a formatura da primeira turma de técnicos da Universidade
Bolivariana, teremos também empregos na indústria, já
que estão sendo inauguradas fábricas têxteis, a
siderúrgica foi nacionalizada e começaremos a ter indústrias.
Até agora, a Venezuela importa 905 de tudo o que consome. De
cigarros a agulhas, de televisores a alimentos, tecidos, carros, telefones.
Quase tudo. A mídia também não nos conta que Chávez pretende transformar todos os carros a gasolina em usuários de gás. E que para isto, o governo cederá até 1° de junho kits gás para praticamente todos os veículos de venezuelanos. Alguns carros terão que ser retirados das ruas. São os Dodges, Impalas, Mustangs, Mercedes. Tudo com fabricação anterior a 1960. Saída? Financiamento
de carros populares para a população de baixa renda. Por
que isto? Porque na Venezuela, encher o tanque de gasolina custa o equivalente
a UMA CERVEJA. A gasolina sempre foi subsidiada. A mídia
diz que a partir de janeiro o Brasil não vai vender mais carros
para a Venezuela. Também "esquece" de dizer que em
2006 anos Chàvez avisou que em 2009 a Venezuela são compraria
carros a gás. E que a indústria automobilística
brasileira esperou até agora, pediu mais tempo e não levou. Quem
está acostumado com nossos padrões de consumo estranha.
Em pouquíssimos lugares se compra cigarros. Bebidas alcoólicas,
idem. Aqui é proibido consumir e vender bebidas antes das 11
das manhã. Cervejas são raríssimas. E muito caras.
Encontrei uma Polar venezuelana, razoável. E cara. A comida
è simples: arepas (pão de milho branco, gostoso) arepitas
(bolinhos de milho). Cafés fortíssimos e não muito
quentes. Pela manhã, come-se feijão, árepas, peixe
e ovos. Ao meio dia, acrescenta-se arroz e alguma salada. Isto è
barato. Outras coisas, bem caras. Mas esta comida barata tem seu valor
nutricional incontestável. Quem quiser mais, que pague. Perfeito
para El Pueblo. Exixtem também os mercados populares, nos Barrios
(que ao contrario do Brasil, são as nossas vilas. Aqui, bairro
é urbanización). Quem
não gosta desta situação? Quem perdeu privilégios,
lógico. Para que hoje todos tenham alcance a suas arepas e ovos
e peixes, alguns precisaram abrir mão do caviar... Em
Caracas também não vi mendigos, moradores de rua ou crianças
de rua.Vi alguns pedintes, nos locais de concentração
de turistas. Mas pedintes de sapatos, roupa razoável e boa fala.Nos
pueblos, vi pobres, mas não pedintes. E muitos, muitos venezuelanos
sorridentes com suas próteses dentárias recém feitas.
Violência? Deve ter alguma coisa, também não vi.
A única coisa de que não gostei aqui è algo que
também não gosto no nordeste: Coentro demais na comida.
Mas nada è perfeito. Também não gostei deste teclado
sem cedilhas e acentos. Nem do preço dos cigarros. Desde que
Chàvez parou de fumar... aumentou o preço deles. Disse-me
um caraquenho que fumo é problema de saúde pública.
Fazer o que? Agora chega de contar história. Com as diferenças de fuso horário, até no Brasil deve ser umas quatro horas, aqui são seis. Vou
voltar para o hotel e vestir minha camisa vermelha, teremos a primazia
de ouvir, ao vivo, Chávez. El presidente. Hasta, hermanos... (Crônica
escrita no meu segundo dia de Venezuela) |