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Ato
expõe criminalização dos movimentos sociais no
RS 30/07/2008 Por Raquel Casiraghi
O ouvidor nacional de Direitos Humanos da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Fermino Fechio, participou do ato e disse que o CDDPH (Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) está encaminhando as denúncias que recebeu contra o órgão gaúcho a conselhos nacionais, entre eles o da Justiça, do Ministério Público e dos procuradores-gerais de Justiça. "O nosso objetivo é que os conselhos avaliem o documento dos promotores e questionem o posicionamento dos magistrados, que em alguns casos foi ilegal", afirmou Fechio. Ele contou que as denúncias chegaram ao CDDPH. "Nós estamos examinando o encaminhamento de todos esses atos aos conselhos nacionais e eles irão se posicionar", explicou ele. Segundo ele, mais do que os conselhos, a população gaúcha precisa fiscalizar a sua polícia. "Só acredito que a polícia vá modificar e vá tratar bem dos cidadãos na hora em que eles exigirem os seus direitos e fiscalizarem o trabalho da sua polícia", disse. Fechio também apontou a falha dos Ministérios Públicos, que não vêm fiscalizando a atuação policial. O ouvidor questiona porque é mais comum que promotores fiscalizem vereadores e torcidas de futebol, mas não grupos de extermínio compostos por policiais que existem em quase todos os estados do país. "Será que o MP do Rio Grande do Sul acompanhou, por exemplo, todos os inquéritos e homicídios do ano passado? Que fim deram esses inquéritos? Chegaram com tempo? Foram identificados os assassinos? Quais foram as causas desses homicídios? Quem está punido? E sobretudo, as mortes violentas praticadas pelos policiais. Que fim deram esses inquéritos, se tem laudos etc", afirmou. A doutora em educação pela PUC-SP (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo), Nita Freire, criticou o uso, pelos promotores, das obras do pedagogo Paulo Freire para justificar que o MST é contrário à ordem social vigente. Nita, esposa do pedagogo já falecido, afirma que além de rotular os pensamentos de Freire, os promotores tentam criar na sociedade o sentimento falso de que reivindicar os direitos é errado. "Eu creio que os promotores não leram a obra de Paulo [Freire]. Se tivessem lido, podem perceber que ele não incentivava a guerras, a incêndios, a mal-querências. Muito pelo contrário, ele incentivava o amor, a generosidade, a solidariedade, na construção de uma sociedade mais justa e mais bonita. Somente isso. Agora, se uma sociedade mais justa, menos cruel, menos perversa, fere a outras pessoas que fazem parte do Estado, é simplesmente lamentável, eu sinto muito", argumenta. Depois do ato, os
participantes saíram em caminhada pelas principais ruas do centro
de Porto Alegre e entregaram um documento no Ministério Público
Federal e no Tribunal de Justiça, em que questionam a atuação
da Justiça e exigem que os processos de criminalização
sejam paralisados. www.mst.org.br |