"Carnificina e deseperança", um retrato do Iraque pós-invasão

por jpereira — Última modificación 19/03/2008 11:36

Assim define relatório da Anistia Internacional sobre a situação dos direitos humanos no Iraque depois da ação militar dos Estados Unidos

19/03/2008

da redação

A Anistia Internacional ofereceu nessa segunda-feira (17) uma sombria estimativa sobre a situação dos direitos humanos no Iraque, cinco anos depois da invasão do estadunidense, qualificando-a como "desastrosa". "Cinco anos depois da invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou Sadam Hussein, Iraque é um dos países mais perigosos do mundo", sentenciou a organização de direitos humanos no informe "Carnificina e desesperança. Iraque cinco anos".

A lei, a ordem e a recuperação econômica são uma possibilidade distante, com a insegurança predominante, argumenta a organização com sede em Londres. Os iraquianos vivem em pobreza, com escassez de comida, falta de acesso à água potável e um índice de desemprego alto (veja reportagem: os lucros do massacre contra o Iraque).

Mais de quatro de cada dez vivem com com menos de um dólar ao dia - quantia utilizada pelas Nações Unidas para medir a pobreza - enquanto os sistemas sanitário e educativo se encontram à beira do colapso e as mulheres e meninas são particularmente vulneráveis à violência dos extremistas.

A Anistia também critica o abuso da pena de morte no Iraque, o fracasso da comunidade internacional em absorver os refugiados iraquianos e a falta de liberdade de expressão na região setentrional do Curdistão, que não obstante goza de uma situação mais estável. "Apesar das afirmações de que a seguridade melhorou nos últimos meses, a situação dos direitos humanos é desastrosa", sustentou a AI, dando como exemplo o sequestro, tortura e assassinato de civis nas mãos de grupos armados.

Crimes contra a humanidade
"Todas as partes cometeram flagrantes violações de direitos humanos, que incluem crimes de guerra e crimes contra a humanidade", agregou AI, ao igualar os paramilitares, as forças de segurança iraquianas, as tropas estadunidenses e os mercenários geralmente contratados por empresas. AI deu como exemplo a detenção de 60 mil pessoas pelas forças armadas iraquianas e internacionais, muitos deles sem que lhes imputem cargos e expostos à "rotina" de maus tratos e de tortura.

Um informe da Organização Mundial de Saúde e do ministério da saúde iraquiano estimaram que 151 mil pessoas morreram entre a invasão de março de 2003 e junho de 2006. Outras estimativas avaliam que o número de civis mortos como resultado do conflito entre 48 e 601 mil. "A administração de Sadam Hussein era conhecida por suas violações aos direitos humanos", disse Malcolm Smart, diretor da AI para o norte da Africa e Oriente Médio. "Mas sua substituição não trouxe um respiro para seu povo".

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