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Grito dos Excluídos/as Continental chega à 11ª edição nesta segunda (12) Robson Braga * Adital - Os haitianos exigem
a saída das tropas militares estrangeiras de seu país.
No Paraguai, as ocupações urbanas exigem respeito a um
direito básico. No Panamá, o direito às águas
é uma das demandas básicas dos movimentos sociais. Quando
juntos, os vários povos conseguem articular lutas amplas, para
além das fronteiras nacionais. Essa é a proposta do Grito
dos Excluídos/as Continental, que alcança cerca de 22
países de diversas regiões nesta segunda (12). Com o lema "Por
Trabalho, Justiça e Vida", a 11ª edição
do ato traz consigo avanços importantes para os movimentos sociais
das Américas. Os grupos populares estão cada vez mais
articulados e as manifestações se ampliaram, das capitais
para as demais cidades dos países. A análise é
do coordenador da atividade, o teólogo brasileiro Luiz Bassegio. "A exemplo
do Brasil", país onde o ato foi criado, "as pessoas
vão perdendo o medo de se expressar. Elas se tornam mais criativas
e adquirem mais ousadia de mostrar sua voz, seu descontentamento",
avaliou Bassegio. Para o teólogo,
o Grito tem propiciado a organização dos movimentos sociais
do continente e dado visibilidade às suas demandas. Ele reconhece,
no entanto, que parte dos governos da região "está
na contramão", ao criminalizar os grupos populares e tentar
impedir a integração dos povos. "A gente percebe
uma mercantilização da vida, uma crise de paradigma capitalista
e um crescimento das agressões à mãe terra",
citou Bassegio. O articulador político ponderou, no entanto,
que, em alguns países, os governos estão mais sensíveis
às reivindicações sociais, como na Bolívia
e na Venezuela. Ele ressaltou o
caso cubano. "Os jovens do país assumiram o Grito, junto
com outros estudantes estrangeiros que moram na ilha. As pessoas esperavam
que a saída do [ex-presidente] Fidel [Castro] ia arrefecer as
mobilizações". Os cubanos lutam contra a militarização
da América Latina, intensificada com a instalação
de sete bases militares estadunidenses na Colômbia, prevista ainda
para este ano. A questão
ambiental ganhou ainda mais força no ato deste ano. O tema "está
crescendo muito, porque não é só mais um assunto
da esquerda. A direita percebeu que tem culpa e que é algo que
precisa ser freado. As gerações futuras estão em
jogo", reforçou Bassegio. No Panamá,
as mobilizações ocorrem nas cidades de David, Chiriquí
e na província de Bocas del Toro. Uma caminhada indígena
chega à Cidade do Panamá, onde se realizará a Tribuna
Aberta Indígena. No Paraguai, os
grupos populares vão às ruas contra o déficit habitacional,
que chega a 800 mil casas. O governo só prevê a construção
de 1.600 habitações populares. Um dia antes do
Grito, os movimentos da Costa Rica já se instalarão, em
um ato intercultural, em frente à embaixada de Honduras ou dos
Estados Unidos, em protesto contra o golpe de Estado que depôs
o presidente hondurenho Manuel Zelaya, em 28 de junho. No dia seguinte,
em El Salvador, um ato solidário tomará a Ponte da Integração. A proposta do Grito
dos Excluídos/as Continental surgiu no Brasil como campanha nacional.
Em 1996, a Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil (CNBB) abordou
a exclusão sócio-econômica em sua Campanha da Fraternidade. A Secretaria Continental do Grito dos Excluídos é composta por quatro secretarias regionais: Caribe (sediada na república Dominicana), Meso-América (na Costa Rica), Cone Sul (Argentina) e Países Andinos (Bolívia). A secretaria continental se situa no estado brasileiro de São Paulo. * Jornalista da Adital |