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Missão
denuncia 17 mortos e quatro mil detidos
Vanderley
Caixe (vanderleycaixe@revistaoberro.com.br) Dentre os 17 mortos, dez foram assassinados por compassas, quatro em manifestações de ruas, além de dois dirigentes campesinos e um professor. O comunicado da missão, composta por 17 representantes de vários países, cita detenções em estádios esportivos, feridos retirados de hospitais e levados a presídios e de vistorias em ambulâncias. A missão
registrou mais de quatro mil detenções arbitrárias
até o final de agosto. Desse total, 156 menores de 18 anos foram
detidos por violarem o toque de recolher. De acordo com o documento,
os homens são punidos com fogo sob os testículos; e as
mulheres, com bastões da polícia nos órgãos
sexuais. Segundo a missão
internacional, o governo provisório de Roberto Micheletti está
detendo, arbitrariamente, líderes das manifestações
favoráveis a Zelaya. Os militantes estão sendo torturados
e intimidados e o movimento feminista está sofrendo as piores
consequências. De acordo com o
informe, a repressão se intensificou desde que Zelaya ingressou
no país, no último dia 21, e se abrigou na embaixada brasileira,
na capital Tegucigalpa. O documento ainda
contabiliza 300 feridos em todo o país. O governo provisório
e as empresas favoráveis ao golpe também estão
demitindo trabalhadores que atuam em manifestações de
rua. Cerca de 300 pessoas já foram demitidas somente na cidade
industrial de San Pedro Sula. Os mais prejudicados são os sindicalistas. Dentre os últimos
detidos, estavam duas crianças, de oito e 12 anos de idade, acompanhadas
de seus pais. O Estado está aproveitando o grande número
de manifestantes para realizar detenções seletivas e julgamentos
coletivos. A justificativa seriam as manifestações populares
supostamente ilícitas. Forças Armadas
desalojam camponeses O governo provisório
de Honduras desalojou violentamente, na manhã de hoje (30), um
grupo de campesinos que se mantinha na sede do Instituto Nacional Agrário
(INA), na capital Tegucigalpa. A estimativa é de que haja 53
campesinos detidos, sendo seis mulheres e dois guardas que auxiliavam
na segurança dos ocupantes. O prédio
foi ocupado na semana seguinte ao golpe de Estado, impetrado em 28 de
junho. Os campesinos não reconhecem Eduardo Villanueva como diretor
do INA, já que foi indicado pelo governo provisório do
país. O grupo se mantinha no local como forma de proteger a documentação
arquivada pelo instituto, responsável pelo programa nacional
de reforma agrária. A expulsão dos campesinos foi possibilitada pelo estado de sítio anunciado no último sábado (26) pelo presidente provisório, Roberto Micheletti. A medida suspendeu, por 45 dias, direitos constitucionais como liberdade de expressão, de circulação e de reunião. |