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Na luta comemoramos os 100 anos do 8 de março
6 de
março de 2010 Há
100 anos, Clara Zetkin, dirigente do Partido Social Democrata Alemão,
viu aprovada sua proposta de instaurar o 8 de março como Dia
Internacional das Mulheres. Essa referência histórica,
por si só, já seria suficiente para demarcar a data com
seu sentido principal: a luta. Foi nesse caminho que as mulheres foram
para as ruas em todas as partes do mundo, inúmeras vezes: pelo
direito ao voto, a salários iguais, para denunciar a violência
cotidiana a que são submetidas, desde a humilhação
doméstica à mais brutal violência física. Em
um país com uma das piores desigualdades sociais do mundo, com
concentração de terra, renda e poder não mãos
de uma elite, marcado profundamente pelo latifúndio e pela exploração
imperialista, os impactos recaem fortemente sobre as mulheres. De acordo
com uma pesquisa da UFRJ, 80% do total de pessoas sem acesso à
renda no Brasil são mulheres. E são elas majoritariamente
que são submetidas a jornadas duplas ou triplas de trabalho,
encarado muitas vezes como "ajuda" e sem remuneração. No
campo, essa realidade fica ainda mais marcante. Segundo a Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO), somente 1% das propriedades rurais do mundo estão em nome
de mulheres. E na Reforma Agrária também o índice
é baixo: menos de 15% das terras são registradas em nome
de mulheres. Cerca de 6,5 milhões de agricultoras são
analfabetas. O modelo de produção priorizado pelo Estado
brasileiro, revelado com detalhes pelo último Censo Agropecuário
, faz com que existam 15 milhões de sem-terra no país.
Destes, no mínimo, 50% são mulheres. Por trás do
grande número de pessoas sem acesso à terra, um dado do
Censo expressa a contradição: apenas 1% dos proprietários
de terras no Brasil detém 46% do território agricultável. O agronegócio
- que recebe a maior parte dos investimentos públicos para a
produção - acumula mais um vergonhoso título para
o Brasil. Depois de ser o principal consumidor de agrotóxicos,
é agora o segundo país do mundo em área cultivada
de transgênicos. Enquanto os países desenvolvidos seguem
o caminho inverso, preocupando-se com a qualidade da alimentação,
nossa população precisa se envenenar para garantir os
lucros das transnacionais. Isso porque tentaram convencer o mundo que
os transgênicos acabariam com a necessidade de pesticidas. Então
como entender essa imensa quantidade de venenos para manter a produção
transgênica? O Censo demonstrou que quase 80% dos proprietários
rurais usam agrotóxico, muito mais do que o necessário.
O imenso volume de herbicidas aplicados no Brasil contamina os solos,
os mananciais e até mesmo o aqüífero Guarani. A contaminação
chega até nós pela água que bebemos e pelos produtos
agrícolas irrigados com a água contaminada. Não
faltam dados que comprovam os malefícios sobre a saúde
humana dos agrotóxicos e dos ransgênicos, muitas vezes
sobre a mulher, como a contaminação do leite materno e
impactos na fertilidade. Mas nada disso é motivo para o perverso
modelo do agronegócio deixar de seguir seu rumo. E por isso as mulheres camponesas se mobilizam, enfrentam a opressão e a exploração. Não aceitamos o silêncio. Todos os anos, assumimos a responsabilidade histórica legada pelas socialistas. Neste ano, nos organizamos na Jornada de Luta contra o Agronegócio e contra a Violência: por Reforma Agrária e Soberania Alimentar. Vamos para as ruas em todo o país colocar para a sociedade nosso projeto, nossa alternativa pela saúde, pela autonomia, pela igualdade, pelo fim da exploração. Nos somamos com as mulheres das cidades, que também travam há décadas lutas fundamentais para toda a sociedade brasileira. Sabemos que é este o único caminho possível para conquistar nossos direitos. |