No Rio, ato marca unidade contra desemprego

por Michelle Amaral da Silva última modificação 31/03/2009 13:23

As principais lideranças sindicais foram unânimes em ressaltar o ineditismo da união entre as centrais, e a importância de se abandonar as divergências num cenário de crise, para fortalecer as reivindicações

31/03/2009

Leandro Uchoas,
do Rio de Janeiro (RJ)

Na tarde de segunda-feira (30), no centro do Rio de Janeiro, mais de dois mil manifestantes percorreram a avenida Rio Branco em protesto contra o crescimento do nível de desemprego, e pela manutenção dos salários e direitos trabalhistas. Pela primeira vez em muitos anos, todas as principais centrais sindicais se uniram em torno das reivindicações. O protesto fez parte de uma série de atos anticapitalistas ocorridos entre os dias 28 de março e 4 de abril no mundo inteiro.

Movimentos sociais, estudantis e partidos políticos apoiaram o ato. Acrescentaram reivindicações como a manutenção da meia-entrada integral a estudantes e a reforma agrária. No entanto, a luta contra o desemprego deu o tom das manifestações, sob o lema “o trabalhador não vai pagar pela crise”. Segundo pesquisa do Dieese, o desemprego chegou em janeiro a 13,1% nas seis maiores regiões metropolitanas do país.

As principais lideranças sindicais foram unânimes em ressaltar o ineditismo da união entre as centrais, e a importância de se abandonar as divergências num cenário de crise, para fortalecer as reivindicações. “Desde a época da ditadura não se via o movimento tão unido por uma causa”, defendeu Marco Antonio de Vasconcelos, da Força Sindical.

Os trabalhadores denunciam a postura dos principais empresários do país, que estariam aproveitando-se da crise para demitir ou cercear direitos e salários. Reivindicam que empresas como Vale, Embraer, G.M. e Volkswagen utilizem o saldo de lucro significativo que tiveram em 2008 para arcar com os custos da crise. “Essas empresas receberam empréstimos do BNDES, com a promessa de não demitir. Os trabalhadores não aceitam pagar pela crise”, pontuou Gualberto Tinoco, da Conlutas.

Além dos lucros e empréstimos já obtidos, as centrais apresentaram outras saídas para a crise. A redução da jornada de trabalho, a reestatização de algumas empresas, e o planejamento do enfrentamento da crise em conjunto com a classe trabalhadora seriam soluções possíveis. “O que não pode é achar que se combate a crise demitindo. Mantendo o emprego você mantém a renda, e por conseqüência o consumo”, afirmou Leandro da Costa, da CGTB.

Algumas centrais entendem que o momento é de uma atuação ainda mais veemente. Paulo Farias, da CTB, afirma que “é hora de se avançar, inclusive, para uma greve geral, que aponte para a unidade das lutas dos trabalhadores”. Ivanete Conceição, da Intersindical, acha que “os trabalhadores precisam assumir a direção das empresas, garantindo a manutenção dos empregos”.

A manifestação seguiu pela avenida Almirante Barroso até a região entre as sedes da Petrobrás e do BNDES. A estratégia era marcar o posicionamento a favor da reestatização da empresa, e protestar contra os recentes empréstimos do banco, que teria ocorrido sem a exigência da garantia ao emprego.

Durante o ato, alguns manifestantes citaram ainda a importância da união do movimento sindical no contexto histórico atual. “Está se instalando uma nova ordem mundial. O neoliberalismo ruiu. É o momento de atuarmos no sentido de mostrar nossa força, e de sensibilizarmos as pessoas para a construção de um modelo socialista de sociedade”, pontuou Darby Igayara, da CUT.

Houve manifestações também no interior do estado, na cidade de Volta Redonda, sede da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)

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