Tribunal dos Povos condena transnacionais européias
Na sessão final do Tribunal Permanente dos Povos, as empresas transnacionais e instituições financeiras como Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial foram condenados por promover a desigualdade entre uma minoria rica e a maioria pob
Os julgamentos que duraram 3 dias, receberam denúncias de diversas regiões da América Latina, Caribe e também da Europa contra empresas multinacionais, durante a Cúpula dos Povos, Enlaçando Alternativas 4, que ocorre até amanhã (18/05) em Madri, na Espanha.
O presidente do Tribunal, Perfecto Andrés Ibañez, ressaltou que ao julgar crimes cometidos contra os direitos humanos, a vítima, deve ser tratada como sujeito que sofreu prejuízos que não podem ser reparados apenas economicamente.
O Tribunal considera que a causa desses crimes se deve às condições sociais e econômicas desiguais. Nesse caso, não caberia apenas indenizar as vítimas por suas perdas mas também realizar ações de transformação social.
Marcos Arruda, economista e coordenador do Políticas Alternativas para Cone Sul no Brasil, lembra que outro ponto importante é a impunidade das empresas e instituições responsáveis por essas violações. Ele considera que estas são protegidas pelos próprios governos. Cabe lembrar que os Estados latinos e europeus também foram condenados pelo Tribunal.
Os juízes do Tribunal defenderam que é preciso construir outro tipo de desenvolvimento econômico e social, em que os direitos dos povos à terra e aos recursos naturais sejam respeitados, para termos umas sociedade mais justa. (pulsar)
MADRID – CÚPULA UE-ALC
União Européia e governos Latinos discutem acordos econômicos
A Cúpula dos Povos está próxima do fim e tem inicio a Cúpula UE-ALC, que se divide em uma série de encontros entre os governos latino-americanos e a União Europeia. O primeiro aconteceu ontem (16/05), em Madri, com o México.
A Cúpula dos Povos está próxima do fim e tem inicio a Cúpula UE-ALC, que se divide em uma série de encontros entre os governos latino-americanos e a União Europeia. O primeiro aconteceu ontem (16/05), em Madri, com o México.
Neste encontro se discutiu as possibilidades de ampliar as relações econômicas entre os dois países.
O presidente espanhol José Luiz Zapatero foi vaiado, por pessoas que protestavam contra as recentes medidas de cortes de salários e benefícios dos trabalhadores. Essas medidas são usadas por Zapatero como forma de controlar a atual Crise, que começou na Grécia.
A programação da Cúpula oficial segue na manhã de hoje (17/05) com a reunião entre o governo do Chile e representantes da UE, as principais discussões estão sobre o setor energético.
Para a tarde de hoje estão marcadas as reuniões com o Caribe e com os países que fazem parte do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Amanhã (18/05) será realizado o encontro principal, onde estarão reunidos os chefes de Estado da União Européia, América Latina e Caribe.
Nestes encontros, tanto o Mercosul, quanto a União Europeia pretende retomar as negociações sobre o Tratado de Livre Comércio. As discussões estão paradas desde 2004 por discordâncias nas questões agrícola. Também devem firmar acordos comerciais com Peru e Colômbia.
Na quarta-feira (19/05) iniciam as negociações com os países centro-americanos, com possibilidades de acordo.
FLASH – MANIFESTAÇÃO
Marcha do Enlaçando Alternativas reúne 3 mil pessoas
Um dia antes (16/05) da Cúpula de chefes de Estado, 3 mil trabalhadores da América Latina e Europa se unem em Madri para protestar contra a crise e a exploração dos povos.
Esta marcha é uma das atividades da Cúpula dos Povos, da rede Enlaçando Alternativas, que é realizada pela quarta vez. Ela foi construída em oposição a Cúpula convocada pela União Europeia, que reúne governantes da América Latina e Europa.
Durante a marcha os manifestantes falaram sobre a importância da união dos povos contra a política neoliberal, que joga os prejuízos da crise para os trabalhadores
CÚPULA DOS POVOS – AGRONEGÓCIO
Modelo de desenvolvimento brasileiro é colonialista
Para Cristiane Nadaletti, da Via Campesina no Brasil, o projeto de desenvolvimento que tem sido implementado no Brasil une agronegócio e energia. Nesse caso, os mais prejudicados seriam os mais pobres.
Durante a Assembléia dos povos credores da dívida histórica na Cúpula dos Povos, que ocorre em Madri, Cristiane expôs a visão dos movimentos sociais que lutam por justiça no campo. Ela ainda diz que esse modelo de desenvovlimento funciona como o processo de colonização em que os países servem como exportadores de matéria – prima e arcam com os prejuízos da exploração.
Ela explica que desde a década de 90 se impõe pacotes agrícolas que prejudicam populações tradicionais e pequenos agricultores, como com a monocultura da soja por exemplo. A militante lembra também que o Brasil é o país que mais consome agrotóxico em suas plantações.
Cristiane defende que o modelo de desenvolvimento deve ser disputado. “O atual modelo naturaliza a exploração nos países”, afirma. (pulsar)
CÚPULA DOS POVOS – ACORDOS DE LIVRE COMÉRCIO
Acordos de livre comércio exploram países em desenvolvimento
Durante o debate sobre a dominação européia nos países em desenvolvimento na Cúpula dos Povos, em Madri, organizações sociais alertam para os perigos dos tratados de livre comércio com a União Européia.
Representantes de diferentes organizações da Europa e da América Latina apontaram as novas estratégias de dominação econômica utilizadas pela União Européia para fortalecer seu mercado.
Ramón Fernandéz, da organização espanhola Ecologistas em Ação, ressaltou que a união dos mercados europeus também ajudou na projeção de suas empresas para zonas periféricas como Ásia, África e América Latina.
Sebastián Valdomir, da Ong Amigos da Terra no Uruguai, reforçou que os tratados da União Européia não são muito diferentes dos tratados feitos com os EUA. Ele acredita que fica claro que a intenção desses países é apenas abrir mercado, ou seja, possibilitar a entrada de empresas transnacionais.
Os impactos na mudança climática foram colocados por Maureen Santos, da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (REBRIP), do Brasil. Ela lembrou que os países europeus são os principais responsáveis pela emissão de gás carbônico para a atmosfera. Por isso, segundo ela, deveriam ser os principais devedores dessa dívida ambiental ao invés de “apresentarem falsas soluções para a mudança climática”, defende Maureen.
A representante da REBRIP também acusa a União Européia de praticar `ambientalismo de mercado` ao permitir que grandes empresas produtoras de alimentos, que utilizam propaganda falando de sustentabilidade, atuem nesses países sem respeitar os povos locais e explorar seus recursos naturais. (pulsar)