Vindo do Fórum Social, Econômico e Ambiental de Panambi


domingo, 16 de maio de 2010
Estive participando, junto com várias outras pessoas, como painelista e ouvinte, do Fórum Social, Econômico e Ambiental de Panambi/RS, que aconteceu em 14 e 15.05.2010, e retornei com muitas coisas para matutar!
Sublinhei com nanquim, por várias vezes durante minha estada lá, qual foi o propósito do Fórum Social Mundial desde sua primeira edição (no qual teria sido inspirado o Fórum de Panambi)… idealizado, inicialmente, como contraponto ao Fórum Econômico de Davos, na Suiça, depositou nas gentes e na coletividade, a pergunta: por quê discutir tanto? A que é que se chegará com isso?
Naquele momento essas foram questões deixadas em aberto e aos poucos foram se respondendo. Sabíamos, todos os desajustados do sistema dominante, que um outro mundo seria possível, mas ainda seguíamos os traçados socialista e comunista, para pensar essa outra possibilidade de mundo, guiados ainda pela perspectiva de que se poderia romper com o sistema vigente e implantar aquele que seria seu oposto. Aos poucos, as gentes foram percebendo que seria desastroso tentar essa alternativa e, então, foi se desenhando a necessidade de provocarmos no maior número de gentes possível, as condições para o entendimento da teia capitalística em que fomos historicamente enredados. A produção desse entendimento seria possível, principalmente, através de muita discussão, pois para se pensar alternativas ou para saber para onde é que se quer ir, antes é necessário saber de onde saímos.
Os dez anos de Fórum foram sempre de redesenho dos caminhos… enquanto alguns queriam manter a centralização, muitos outros foram entendendo que a germinação das sementes da discussão e da desacomodação estava espalhada pelo mundo, e que isso não teria mais como ficar contido num recorte da geografia.
Os movimentos sociais e das gentes, foram tessendo a ciranda que ecoaria seu canto por todo o planeta. Em 2010, entre muitas outras, uma grande questão se arredondou para todos: estamos a discutir alternativas para qualificar e reafirmar o sistema dominante, ou estamos construindo alternativas que estejam efetivamente nos conduzindo a uma outra possibilidade de mundo?
Nesse Fórum de Panambi, essa questão esteve presente o tempo todo, visto que os objetivos do evento apresentavam ora um desenho libertário e protagonista para as gentes indigestas ao sistema capitalístico, ora a reafirmação e qualificação desse mesmo sistema que nos devora… e isso ficou por demais evidente na queixa de que os empresários boicotaram o evento e, principalmente, no painel do sábado pela manhã, no qual, o ponto alto foi exatamente a reafirmação da devastação e degradação da terra e da vida.
Por questões profissionais, não pude acompanhar as atividades do sábado à tarde, mas um dos painelistas acompanhou as discussões da manhã e se manifestou dizendo, mais ou menos, o seguinte sobre o Fórum Social Mundial: “O FSM nasceu com um problema de origem que reside no fato de ser ideológico”… quase não acreditei no que ouvi e ao me manifestar, fiz o resgate mostrado acima, mas comecei dizendo que o Fórum não tinha nenhum problema de origem, visto que seus propósitos sempre estiveram muito claros, salvo nos desdobramentos próprios de seus movimentos!
É impressionante como os representantes ou mesmo os carrapatos do sistema dominante acreditam e querem fazer crer que a única linha possível esteja situada em seus fundamentos, sendo que qualquer tentativa de ruptura com isso, ganha a tarja pejorativa de “ideológica”, como se a “verdade” dominante não fosse ideológica e como se a ideologia contrária a isso, fosse crime!
Desse Fórum, anotei ainda, entre muitas outras coisas, o insistente pedido de sugestões que seriam utilizadas na formulação de ações a serem propostas para operacionalização das políticas públicas… ora! O Fórum tem exatamente a perspectiva de provocar a mobilização e o protagonismo popular e não o embasamento às ações do Estado… é claro que a construção e operacionalização das políticas públicas seja do interesse de todos, mas para muito além disso, deve estar a possibilidade de provocar nas gentes a mobilização para a construção de práticas protagonistas, libertárias e produtoras de autonomia, ou seja, ao invés de nos atrelarmos cada vez mais ao Estado, dele devemos nos libertar cada vez mais!
Ouvimos, na fala daqueles que pensam que um outro mundo já não seja impossível, a tessitura dos sons que nos evocam a cultura indígena… é de se lembrar que estávamos a discutir essas coisas no Vale das Borboletas (Panambi)… e é de se desenhar a lembrança de que os povos indígenas são aqueles que melhor existenciaram a relação com a vida, com a terra e com a natureza (e grande parte dos sobreviventes, ainda existencia), por isso, quando quase estamos a ver o Planeta desaparecer, é deles que lembramos para evocar a necessidade de resgatarmos e preservarmos a casa em que vivemos: a Terra… a pachamama!
Lembro, com isso, de duas situações que vivenciei no Fórum Social Mundial, em POA, neste ano. Uma: estava perambulando, num breve intervalo, entre as barracas de artesanato e, numa delas, deparei-me com uma porunga pequena… estava a cata de uma dessas para tirar as sementes e plantá-las, mas a moça que detinha os domínios daquela barraca informou que não estava vendendo a porunga, pois a utilizava para produzir música… fiz mil-propostas e nada foi aceito… fiquei pensando que, além da música que aquela porunga produzia sozinha com suas sementes balançando em seu interior, poderia produzir muitas outras porungas se suas sementes fossem lançadas à terra e, assim, teríamos muitas outras porungas para produzir música!
Outra: estava ainda com a história da porunga fazendo ponteios em meus pensamentos, quando mais tarde, naquele mesmo dia, cruzei em outra barraca em que um indígena expunha e comercializava sementes, chás, ervas e outras coisas vindas da terra… encontrei ali, muitas que coisas que não conhecia, sendo que uma certa vagem, em especial, chamou minha atenção… perguntei ao indígena o que era aquilo e ele se colocou a explicar (agora não lembro o nome e nem as funções da semente contida na vagem), abrindo uma das vagens, serviu a semente para que eu a provasse e perguntou se o meu interesse era em conhecer, ou plantar, ou apenas curiosidade… quando respondi que era em conhecer e plantar, ele juntou três vagens e disse: para isso, é de graça e não aceitou nenhum pagamento em troca!
É isso que me faz pensar que os movimentos que produzem os Fóruns, assim como, os movimentos produzidos pelos Fóruns, em algumas situações podem ser equivocados ou estéreis, propondo apenas o som do balançar das sementes e não a sua germinação, mas ainda assim, não podemos deixar de aproveitar a música para embalar uma outra possibilidade de dança, que não a da feroz dança-única-capitalística! Esse deve ser nosso incansável desafio!
Postado por Maria Luiza Diello

domingo, 16 de maio de 2010Vindo do Fórum Social, Econômico e Ambiental de Panambi!Estive participando, junto com várias outras pessoas, como painelista e ouvinte, do Fórum Social, Econômico e Ambiental de Panambi/RS, que aconteceu em 14 e 15.05.2010, e retornei com muitas coisas para matutar!Sublinhei com nanquim, por várias vezes durante minha estada lá, qual foi o propósito do Fórum Social Mundial desde sua primeira edição (no qual teria sido inspirado o Fórum de Panambi)… idealizado, inicialmente, como contraponto ao Fórum Econômico de Davos, na Suiça, depositou nas gentes e na coletividade, a pergunta: por quê discutir tanto? A que é que se chegará com isso?Naquele momento essas foram questões deixadas em aberto e aos poucos foram se respondendo. Sabíamos, todos os desajustados do sistema dominante, que um outro mundo seria possível, mas ainda seguíamos os traçados socialista e comunista, para pensar essa outra possibilidade de mundo, guiados ainda pela perspectiva de que se poderia romper com o sistema vigente e implantar aquele que seria seu oposto. Aos poucos, as gentes foram percebendo que seria desastroso tentar essa alternativa e, então, foi se desenhando a necessidade de provocarmos no maior número de gentes possível, as condições para o entendimento da teia capitalística em que fomos historicamente enredados. A produção desse entendimento seria possível, principalmente, através de muita discussão, pois para se pensar alternativas ou para saber para onde é que se quer ir, antes é necessário saber de onde saímos.Os dez anos de Fórum foram sempre de redesenho dos caminhos… enquanto alguns queriam manter a centralização, muitos outros foram entendendo que a germinação das sementes da discussão e da desacomodação estava espalhada pelo mundo, e que isso não teria mais como ficar contido num recorte da geografia.Os movimentos sociais e das gentes, foram tessendo a ciranda que ecoaria seu canto por todo o planeta. Em 2010, entre muitas outras, uma grande questão se arredondou para todos: estamos a discutir alternativas para qualificar e reafirmar o sistema dominante, ou estamos construindo alternativas que estejam efetivamente nos conduzindo a uma outra possibilidade de mundo?Nesse Fórum de Panambi, essa questão esteve presente o tempo todo, visto que os objetivos do evento apresentavam ora um desenho libertário e protagonista para as gentes indigestas ao sistema capitalístico, ora a reafirmação e qualificação desse mesmo sistema que nos devora… e isso ficou por demais evidente na queixa de que os empresários boicotaram o evento e, principalmente, no painel do sábado pela manhã, no qual, o ponto alto foi exatamente a reafirmação da devastação e degradação da terra e da vida.Por questões profissionais, não pude acompanhar as atividades do sábado à tarde, mas um dos painelistas acompanhou as discussões da manhã e se manifestou dizendo, mais ou menos, o seguinte sobre o Fórum Social Mundial: “O FSM nasceu com um problema de origem que reside no fato de ser ideológico”… quase não acreditei no que ouvi e ao me manifestar, fiz o resgate mostrado acima, mas comecei dizendo que o Fórum não tinha nenhum problema de origem, visto que seus propósitos sempre estiveram muito claros, salvo nos desdobramentos próprios de seus movimentos!É impressionante como os representantes ou mesmo os carrapatos do sistema dominante acreditam e querem fazer crer que a única linha possível esteja situada em seus fundamentos, sendo que qualquer tentativa de ruptura com isso, ganha a tarja pejorativa de “ideológica”, como se a “verdade” dominante não fosse ideológica e como se a ideologia contrária a isso, fosse crime!Desse Fórum, anotei ainda, entre muitas outras coisas, o insistente pedido de sugestões que seriam utilizadas na formulação de ações a serem propostas para operacionalização das políticas públicas… ora! O Fórum tem exatamente a perspectiva de provocar a mobilização e o protagonismo popular e não o embasamento às ações do Estado… é claro que a construção e operacionalização das políticas públicas seja do interesse de todos, mas para muito além disso, deve estar a possibilidade de provocar nas gentes a mobilização para a construção de práticas protagonistas, libertárias e produtoras de autonomia, ou seja, ao invés de nos atrelarmos cada vez mais ao Estado, dele devemos nos libertar cada vez mais!Ouvimos, na fala daqueles que pensam que um outro mundo já não seja impossível, a tessitura dos sons que nos evocam a cultura indígena… é de se lembrar que estávamos a discutir essas coisas no Vale das Borboletas (Panambi)… e é de se desenhar a lembrança de que os povos indígenas são aqueles que melhor existenciaram a relação com a vida, com a terra e com a natureza (e grande parte dos sobreviventes, ainda existencia), por isso, quando quase estamos a ver o Planeta desaparecer, é deles que lembramos para evocar a necessidade de resgatarmos e preservarmos a casa em que vivemos: a Terra… a pachamama!Lembro, com isso, de duas situações que vivenciei no Fórum Social Mundial, em POA, neste ano. Uma: estava perambulando, num breve intervalo, entre as barracas de artesanato e, numa delas, deparei-me com uma porunga pequena… estava a cata de uma dessas para tirar as sementes e plantá-las, mas a moça que detinha os domínios daquela barraca informou que não estava vendendo a porunga, pois a utilizava para produzir música… fiz mil-propostas e nada foi aceito… fiquei pensando que, além da música que aquela porunga produzia sozinha com suas sementes balançando em seu interior, poderia produzir muitas outras porungas se suas sementes fossem lançadas à terra e, assim, teríamos muitas outras porungas para produzir música!Outra: estava ainda com a história da porunga fazendo ponteios em meus pensamentos, quando mais tarde, naquele mesmo dia, cruzei em outra barraca em que um indígena expunha e comercializava sementes, chás, ervas e outras coisas vindas da terra… encontrei ali, muitas que coisas que não conhecia, sendo que uma certa vagem, em especial, chamou minha atenção… perguntei ao indígena o que era aquilo e ele se colocou a explicar (agora não lembro o nome e nem as funções da semente contida na vagem), abrindo uma das vagens, serviu a semente para que eu a provasse e perguntou se o meu interesse era em conhecer, ou plantar, ou apenas curiosidade… quando respondi que era em conhecer e plantar, ele juntou três vagens e disse: para isso, é de graça e não aceitou nenhum pagamento em troca!É isso que me faz pensar que os movimentos que produzem os Fóruns, assim como, os movimentos produzidos pelos Fóruns, em algumas situações podem ser equivocados ou estéreis, propondo apenas o som do balançar das sementes e não a sua germinação, mas ainda assim, não podemos deixar de aproveitar a música para embalar uma outra possibilidade de dança, que não a da feroz dança-única-capitalística! Esse deve ser nosso incansável desafio!

DIVULGAÇÃO: Red Por Tí América

Para continuarmos tecendo pontos de nó na rede incondicional de nossas intenções, aí vai a divulgação do sítio da Rede Por Tí América: http://www.redportiamerica.com/ e a seguir, a sua apresentação, lembrando antes, que esse é um espaço que se propõe ao fortalecimento da “solidariedade internacional e informação alternativa na luta antimperialista e no apoio à integração da América Latina”.

“Estimados compañeros,

Mis queridos hermanos en la construcción de eso mundo más justo, mas fraterno,

Avaluando la amplitud de los esfuerzos que en esos 04 ultimos años hemos desarrollado, (en verdadera RED de informaciones, de rápidas comunicaciones), nos damos cuenta de qué ya avanzamos en nuestra lucha, es decir, ya hemos superado importantes fronteras hasta las tan dificiles fronteras producidas por nuestros distintos idiomas…

Ya hemos logrado nos reunir en actividades cuadradas en más de 40 ciudades (en 23 países) en esto año de 2007 (que ya se despide de nosotros). La suelta de las 05 palomitas blancas en septiembre,(por los cinco compañeros cubanos) fue un buen ejemplo de nuestra capacidad de coordinación frente a ideales de justicia.

Ya nos conocemos, ya nos respetamos y cada uno de nosotros se ve como hermano en la lucha, en la solidaridad juntamente con todos los compañeros que en estos pócos (péro muy intensos) años nos fuimos sumando en las labores desarrolladas en RED DE SOLIDARIDAD POR CUBA.

Ya nos vemos listos para la necesaria ampliación de la lucha por la construcción de la Gran Pátria , eso ya es muy claro.

Somos muchos los que, desde nuestros países, nos comunicamos com los compañeros de los países vecinos (incluso com varios países en Europa) y al diário, intercambiamos informaciones sobre la lucha por la integración latinoamericana. Firmamos cartas de apoyo, cartas de repúdio, cartas de adhesión…

Hemos exigido protección a alcaldes, diputados, presidentes (para compañeros en diferentes actividades y países, marchando por el derecho a la vida, por justicia, por la liberación de presos políticos, por la búsqueda de familiares desaparecidos, compañeros secuestrados, etc…)

No nos callamos en el 2007, al revés, nos levantamos y gritamos juntos en distintos idiomas…

Ya son muchos los Comités, Circulos Bolivarianos, Asociaciones de Solidaridad, Centros Culturales, Redes de Informaciones Nacionales y Internacionales , con quienes intercambiamos informaciones, producimos recolección de firmas, cuadramos actividades en várias ciudades de muchos países de América Latina , Caribe, Europa…

En eso entendimiento, el año que se acerca, el 2008, hay de ser un año de más avances! Debemos nos acercar más aun y abrazar sin fronteras los obyectivos que nos hacen hermanos.

Estamos listos para cuadrar algunas actividades internacionales de apoyo a lucha de todo nuestro pueblo Latino Americano y Caribeño por condiciones humanas de vida, por el respeto al derecho a alimentación, salud, habitación, educación, seguridad, libertad…

Les invitamos a todos ustedes, queridos compañeros, a participar de la construcción de una gran Red de comunicación , de producción y apoyo de actividades para fortificar la lucha por la integración de esa nuestra Gran Pátria América.

Otro mundo és posible,/ Mejor sí…/ Un mundo diferente,/ Un mundo que no tenga miedo de toda su gente…”


Maria Luiza Diello

http://marialuizadiellooutrascompotas.blogspot.com/



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