![]() |
|
Trabalhadores
marcham contra a crise em São Paulo por
Michelle Amaral da Silva 31/03/2009 Centrais
sindicais, partidos de esquerda e movimentos sociais se uniram em ato
contra os efeitos da crise econômica mundial no país
"Ou param as
demissões, ou paramos o Brasil", bradaram integrantes das
principais centrais sindicais, partidos de esquerda e movimentos sociais
e estudantis, em marcha nesta segunda-feira(30) em São Paulo,
no Ato Internacional Unificado contra a Crise. Assim como em outros
Estados, a ação integrou o Dia Nacional de Luta contra
a Crise e as Demissões. Os trabalhadores,
com suas diversas bandeiras, tambores e gritos, reafirmaram que não
pagarão pela crise econômica mundial, e pediram o fim das
demissões em massa que vêm ocorrendo desde o início
do ano. Os culpados
desta crise são os banqueiros, são as transnacionais e
esta política neoliberal do estado mínimo. Nós
não aceitamos responsabilizar os trabalhadores, e não
aceitamos que os trabalhadores paguem pela crise. Não aceitamos
desviar recursos públicos para salvar os bancos e para salvar
as empresas, declarou Luis Bassegio, secretário continental
do Grito dos Excluídos nas Américas e coordenador da Assembléia
Popular. A manifestação,
que segundo os organizadores contou com cerca de 15 mil pessoas, teve
início em frente à sede da Federação as
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida
Paulista, e culminou na Praça Ramos, no centro da capital. Edson Carneiro,
conhecido como Índio, da Intersindical, contou que a principal
bandeira dos trabalhadores é deixar claro que eles não
pagarão pela crise. Também pedem que cessem as demissões,
que se reduzam os juros praticados no país, que haja o aumento
de investimentos públicos em favor da população
e em defesa dos direitos trabalhistas e sociais, e que se realize de
fato a reforma agrária no Brasil. Índio ressaltou a importância da união de todas as entidades que defendem os direitos dos trabalhadores nesse ato. "Estamos contentes
com esta manifestação, que é um marco da unidade
de setores diversos em uma mesma luta". Para ele, esta ação
é "a demonstração de que os trabalhadores
não vão aceitar essa situação" e um
primeiro passo para a organização de uma jornada de lutas
nacionais contra a crise. "O próximo passo agora é
organizar a luta e construir o Dia Nacional de Luta, com uma mobilização
geral", destacou o sindicalista. No mesmo sentido,
José Maria de Almeida, o Zé Maria, presidente nacional
do PSTU e membro da coordenação nacional da Conlutas (Coordenação
Nacional de Lutas), saudou a união das centrais sindicais e dos
movimentos sociais e estudantil nessa luta, e defendeu a criação
por parte do governo de uma lei que proteja os direitos dos trabalhadores
frente à crise, que ele classificou como a "pior" que
o sistema capitalista já causou. Política
econômica Durante o percurso, os líderes das entidades discursaram sobre os problemas que a crise tem trazido aos trabalhadores e como os movimentos de trabalhadores devem lutar contra eles.
"Essa crise,
companheiros, é desse sistema que procura o lucro máximo
a cada dia e não quer saber dos trabalhadores, dos povos, do
combate à fome e do combate à miséria. E é
contra isso que nós nos levantamos nesse dia de manifestação
para dizer que não vamos pagar por ela, para dizer que nós
vamos exigir, aqui no Brasil, que o governo enfrente com coragem a crise.
Vamos pedir aos nossos politicos e aos setores empresariais que tenham
coragem de lutar pelo crescimento do país e de criarem empregos,
e que tenham coragem de reduzir essa vergonhosa taxa de juros e democratizar
o conselho monetário nacional, que precisa ter a presença
do povo e dos trabalhadores na sua composição", declarou
Nádia Campeão, presidente estadual do Partido Comunista
do Brasil (PCdoB), em frente à sede do Banco Central em São
Paulo. Igualmente, Ubiraci
Dantas de Oliveira, vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), criticou a política econômica adotada
no Brasil, com o emprego das mais altas taxas de juros do mundo, o que,
segundo ele, prejudica a vida do trabalhador e de toda a população.
"Nós estamos aqui nessa luta contra a alta dos juros e pela
redução das taxas de juros". O líder sindical
chamou os trabalhadores a lutarem para que este quadro seja revertido.
Pediu, ainda, a saída do presidente do Banco Central, Henrique
Meireles. "Esse é o momento da gente intervir na economia
do nosso país, nós não aceitamos que aquele sujeito
que está na presidência do Banco Central continue a resistir,
não querendo baixar as taxas de juros num patamar menor que 2%.
Nós temos os juros mais altos do planeta, isso não pode
continuar dessa forma", protestou. Moradia Em frente à
Caixa Econômica Federal, Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores
Sem Teto (MTST), falou sobre o problema da moradia e questionou o destino
do dinheiro do pacote habitacional anunciado pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no último dia 25. Nós queremos saber
se essas casas vão ser para os trabalhadores que precisam, ou
se esse projeto vai ser mais um para enriquecer as empreiteiras ou para
aquecer a indústria da construção civil. E queremos
saber quando que estas casas vão sair. Segundo o líder
do MTST, o movimento já tem o seu calendário de lutas
pronto para este ano. Wanderley Gomes da Silva, diretor de comunicação da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conan), afirmou que pela convicção de que a crise afeta todas as camadas da sociedade, a Conan somou-se ao ato desta segunda-feira. Este é o momento de unificar o campo, a cidade, o setor produtivo, as mulheres, a juventude e a intelectualidade progressista, porque a crise afeta o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras do país, completou.
Diversidade O ato foi marcado pela diversidade de movimentos presentes. A juventude esteve presente e participou de forma ativa da manifestação através dos movimentos estudantis, como a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. O movimento de mulheres
também marchou em defesa dos direitos dos trabalhadores, representado
pela União Brasileira de Mulheres (UBM), a Federação
das Mulheres Paulistas (FMP) e a Confederação das Mulheres
do Brasil (CMB). O campo também
esteve presente na manifestação, através do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Jaqueline dos Santos, militante do
MST, contou que por solidariedade aos trabalhadores e em defesa do emprego
estava ali marchando, representando o campo na luta dos trabalhadores. Da mesma forma,
José Carlos, que é mordomo e integrante da Força
Sindical, relatou que, apesar de trabalhar em um área que não
foi afetada pela crise, decidiu marchar pelos trabalhadores que tem
perdido seus empregos. Participaram do
ato as centrais sindicais: CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova
Central, CGTB, Conlutas e InterSindical, além de entidades estudantis
e comunitárias, movimentos sociais, sem-terra e sem-teto, juventude,
mulheres e partidos políticos - PCdoB, PSTU, Psol, PT e PDT. www.brasildefato.com.br |